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INTRODUÇÃO AOS GRUPOS DE APOIO

Diariamente, uma legião de pessoas deixa de lado seus compromissos habituais, a casa, crianças, escritório, para dedicar algumas horas de seu tempo aos outros - tão ou mais necessitados do que eles mesmos foram. São os voluntários de irmandades anônimas, centenas delas espalhadas pela cidade, cujo único objetivo é auxiliar àqueles que querem voltar a viver.

Milhares de pessoas no mundo inteiro devem à vida a estas entidades, que reúnem gente de todas as raças e credos, com o objetivo de fazer com que os necessitados voltem a ter uma vida digna junto à família, sociedade e amigos. Neles se reúnem pessoas de diferentes idades e classes sociais em busca de apoio mútuo para superar vícios ou comportamentos compulsivos que as levaram a uma vida destrutiva e socialmente malvista.

A idéia de grupos de auto-ajuda ou mútua-ajuda é, em essência, tão antiga como os seres humanos. Aprendemos a nos cuidarmos e ajudarmos uns aos outros desde muito pequenos e esta aprendizagem está integrada e é parte essencial de toda nossa vida.

O trabalho de Grupo de Apoio não deve ser visto como uma iniciativa isolada de tratamento ou apoio ao dependente e aos seus familiares, e sim como mais uma ferramenta, um instrumento na prevenção e tratamento de pessoas envolvidas com SPA.

Por outro lado, o trabalho de Grupos de Apoio, também é e deve ser um prolongamento do tratamento recebido dentro de um centro de recuperação ou clínica hospitalar. Nos trabalhos de grupos deverão se juntar nesta luta, caminhada, também os familiares.

A terapia de grupo tem encontro várias vezes na semana, ou apenas um encontro semanal. Alguns dos encontros são educacionais, com informações básicas e doutrinação sobre as desordens relacionadas à substâncias de abuso. Reuniões com dependentes recuperados são modelos para inspiração e esperança de atingir recuperação. Esta terapia de grupo pode ser coordenada por profissionais da área de saúde ou ter como base uma organização de dependentes e ex-dependentes, conhecidos como grupos de auto-ajuda.

A maioria dos Grupos de Auto-Ajuda se baseia nos princípios filosóficos dos Alcoólicos Anônimos - A.A, que se articula na forma de 12 passos e 12 tradições. O primeiro é admitir o vício e a necessidade de ajuda. O último, transmitir sua experiência aos freqüentadores novatos das reuniões, como forma de estimulá-los à ir em frente. Estes programas propõem uma forma de vida espiritual, cognitiva e comportamental que aumenta o bem estar pessoal e interpessoal e promove sistema de valores baseados em honestidade e humildade. Estes programas enfatizam fortemente a participação como membros do grupo, na fase aguda do tratamento e após. Os cinco passos mais utilizados são reconhecimento da perda de controle sobre a droga, aceitação de ajuda externa, oferecer a vida para ajuda externa, fazer e divulgar o inventário moral. Tipicamente, nestes grupos, voluntários da comunidade ou membros do grupo conduzem as reuniões. Material escrito, apresentando os 12 Passos, as 12 Tradições, e outros panfletos com enfoque na vida, no reconhecimento e na aceitação da falta de controle e incapacidade de gerenciar são leituras obrigatórias. Muitas vezes os "padrinhos" auxiliam e apresentam o paciente ao grupo, para evitar acanhamentos e promulgando mensagem de ajuda e esperança para quem está iniciando o processo. Muitos programas de tratamento estimulam a participação concomitante dos pacientes nas atividades dos A.A., N.A. e outros, os quais se mostram úteis como métodos potencializadores dos outros tratamentos.

Quanto à terminologia e conceituação dos termos "ajuda mútua" e "mútua-ajuda" a literatura especializada nos diz que na verdade não há uma distinção específica entre as mesmas. Podemos utilizar indistintamente ambas as palavras, pois todo grupo de auto-ajuda é um grupo de ajuda-mútua, as pessoas se "ajudam a si mesmas" quando em grupos, de tal maneira que compartilham o problema e a busca de soluções.

Por outro lado, também é importante colocar que a ajuda mútua sempre pressupõe um grupo, ou seja, um conjunto de pessoas que se ajudam entre si. A auto-ajuda é sempre uma ação que, em última instância, é individual. Assim, quando a auto-ajuda acontece dentro de um grupo de fato acontece também mútua-ajuda. Um grupo de ajuda mútua somente pode funcionar se cada um dos membros se auto-responsabiliza e, conjuntamente, coopera com os demais (ajudando e recebendo ajuda) para resolver seus problemas e necessidades.

Na prática o grupo se reune e trata de seus problemas comuns. Trocando experiências, falando e ouvindo - o chamado efeito "espelho" - recebem ajuda para sair do abismo moral, físico e espiritual em que se encontram.

Para entrar em quaisquer destes grupos é preciso apenas força de vontade para mudar de vida. Não há taxas e o anonimato entre todos os seus membros é a única exigência. A exigência de anonimato tem explicação: a idéia é que se torne conhecido o programa de ação e não as pessoas que dele participam.

Todo o trabalho dos Grupos de Mútua-Ajuda é exercido mantendo as características de grupo leigo e voluntário, sem qualquer ônus para a coletividade e com uma bagagem de conhecimento e informações adquiridos pelo interesse e necessidade de seus membros de saberem mais sobre a doença e também no decorrer das trocas de diferentes experiências vividas.

A terapia de ajuda através de reuniões em grupo, que envolve familiares, amigos e dependentes, tem dado resultados mais efetivos do que terapias químicas tradicionais, (que efetuam uma troca da droga que causa dependência, por outra, também com certos danos para o organismo), que em nada mudam o estilo de vida e a integração com a família e a sociedade. Está claro que um programa de recuperação não pode obter sucesso total se dissociado de um trabalho dedicado à família, no que diz respeito à sua integração, envolvimento e o repartir das responsabilidades.

Hoje o trabalho desses grupos é imprescindível para a sociedade. Esta afirmação é decorrente dos resultados positivos da atuação contínua e marcante dos mesmos. Para atuar em prevenção primária, são fontes de informações direta às famílias, escolas e empresas sobre os fatores de risco que levam à dependência. A recuperação e reinserção social de dependentes químicos é constatada no eficiente trabalho dos Grupos de Mútua-Ajuda, que favorecem a extinção de comportamentos indesejáveis e a aquisição de outros mais adequados, tornando-os aptos à vida em sociedade.

 

 

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