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HISTÓRIA DOS GRUPOS DE APOIO

Nos Estados Unidos dos anos 20, as mulheres do pós-guerra já não eram dóceis como antes. Não se sujeitavam mais à autoridade patriarcal do marido. Afinal, entre 1914 e 1918 muitas foram obrigadas a trabalhar, numa escala sem precedentes. E tomaram gosto pela emancipação financeira que adquiriram. Pela primeira vez as mulheres começaram a beber em larga escala. E o alcoolismo passou a atingir ambos os sexos, o que não acontecia no século XIX e no início do século 20, quando já representava um sério problema social, porém praticamente circunscrito aos homens.

O número de alcoólicos crescia assustadoramente e ninguém sabia mais o que fazer. A medicina era importante, tanto quanto a psicanálise. As campanhas de esclarecimento resultavam em nada.

Neste estado de desespero, os norte-americanos resolveram enfrentar o alcoolismo no "muque". O congresso baixou uma determinação proibindo a venda e o consumo de bebidas alcoólicas em todo território nacional, estava decretada a tão famosa "Lei Seca".

O resultado todos nós sabemos: nunca tantos beberam tanto em tão pouco tempo. O que se expandiu não foi a sobriedade, foi o crime. Chicago tornou-se célebre como a capital mundial da violência e da contravenção. A Máfia tomou conta da cidade, e Al Capone tornou-se seu rei.

No início dos anos 30, dez anos depois, ficou provado que o alcoolismo não é caso de polícia.

GRUPOS DE AUTO-AJUDA NA AMÉRICA DO NORTE

Um norte-americano alcoólico de Nova Iorque, corretor da Bolsa, após várias tentativas de alcançar a sobriedade descobre que ao compartilhar sua vida, dificuldades, desejos de beber, sonhos com outra pessoa poderia permanecer sem beber, a cada dia. Surge o primeiro encontro com um médico também dependente alcoólico.

Imaginaram fazer, em larga escala, o que estavam fazendo entre si: um alcoólico ajudando outro alcoólico a evitar o álcool. E sendo por ele ajudado. Uma espécie de auxílio mútuo. Havia, por força da semelhança dos problemas, uma afinidade natural, uma identidade. Isso facilitava demais o papo e a comunicação. Surgiria espontaneamente um genuíno respeito mútuo, ninguém se sentindo melhor que ninguém. E uma afeição sincera, uma ternura, por ver, no outro, suas próprias dores. Tudo isso tornaria o encontro prazeroso e não um sacrifício. Despertaria mútua disponibilidade, sem ninguém se sentir alugado por ninguém. Até porque, aquele que ouve hoje poderá ser aquele que será ouvido amanhã, aquele que se salvou hoje da recaída, poderá ser o que, por sua vez, o salvará amanhã da sua própria recaída. Afinal, alcoolismo é uma doença compulsiva de força sobre-humana, e nenhum alcoólico está vacinado para sempre contra ela.

Assim, no dia 10 de junho de 1935 era fundado os Alcoólicos Anônimos. O corretor ficou conhecido como Bill, o A.A. no 1; e o médico como dr. Bob, o A.A. no 2. Depois dessa memorável data, nenhum dos dois voltou a beber.

A repercussão das idéias e métodos dos A.A. foi tamanha que, rapidamente, outras pessoas, atingidas por outras compulsões que não a alcoólica, resolveram também fundar grupos de auxílio mútuo, inspirados nos mesmos princípios dos A.A.

Surgiram assim, em 1953, grupos de Narcóticos Anônimos (N.A.) - ou NARANON, outra forma de abreviar o N.A. - e, mais tarde de Fumantes Anônimos, de Comedores Compulsivos Anônimos, de Jogadores Anônimos, Neuróticos Anônimos. Surgiram, nas grandes cidades do primeiro mundo, até outros grupos anônimos de diversos tipos, eles de compulsões sexuais, diabéticos, pessoas que têm ou tiveram câncer e, até para portadores do vírus do HIV.

Para os Narcóticos Anônimos, o "Evite o primeiro gole!" foi substituído pelo "Evite a primeira dose!"; para os Fumantes Anônimos, pelo "Evite a primeira tragada!"; para os comedores compulsivos Anônimos pelo "Evite a primeira garfada compulsiva!"; para os Jogadores Anônimos pelo "Evite a primeira aposta ou a primeira cartada!".

O objeto da compulsão muda, mas o princípio não muda, permanece sempre o mesmo. Os métodos e princípios de funcionamento são rigorosamente idênticos.

 

 

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Exemplo de Grupos
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Grupos da Cruz Azul
 

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