A maioria dos pais tenta resolver o
problema sem pedir ajuda a ninguém. Envergonhados, evitam
os amigos. Obcecados, passam a seguir o jovem, numa tentativa
desesperada de evitar seu contato com más companhias.
Sem saída, submetem-se a humilhações. Mas,
o caminho solitário não leva a nada. Só
com o apoio de profissionais especializados, uma boa literatura,
bons amigos, os pais podem se fortalecer para, efetivamente,
contribuir para a recuperação de seus filhos.
A primeira reação dos pais costuma ser de negação.
Não percebem ou não querem perceber, o que está
acontecendo. Eles querem se convencer de que nada daquilo é
verdade e acabam se deixando manipular. Quando a realidade se
impõe, começa uma verdadeira via-crucis, que pode
se arrastar por longos e penosos anos de lágrimas, ameaças
e medo. Os pais tentam cercear a liberdade do filho, vigiam
seus passos, suas amizades, ouvem seus telefonemas, revistam
suas gavetas. O dependente nega, faz promessas, mas entra cada
vez mais no submundo da droga.
Sinônimo de escravidão, a dependência química
leva a pessoa a perder o amor próprio, o respeito por
si mesma e também a se distanciar de tudo o que poderia
lhe fazer bem. Por sua vez, os pais tendem a se retrair, evitar
falar com parentes e até atender telefonemas. Não
querem que ninguém saiba o que está acontecendo,
o inferno que estão vivendo dentro de casa.
Tudo passa a girar em torno do dependente químico. Os
pais reclamam, ameaçam, gritam, mas também encobrem,
protegem e defendem o filho de todas as conseqüências
advindas do uso de drogas. Sem querer, acabam funcionando como
facilitadores do vício. O dependente só aceita
ser ajudado quando todas as portas se fecham para ele. Depois
que perde emprego, escola, amigos e família - e chega
ao fundo do poço. Enquanto os pais ficarem atrás
dele, tentando evitar essas perdas, nada vai mudar.
Nomalmente os pais não querem mudar o comportamento do
filho como acham que podem consegui-lo. O jovem precisa deles,
sempre de uma maneira compulsiva, crescente, doentia. É
a co-dependência. mas só quando os pais começam
a se desligar, a viver sua própria vida, é que
passam a ter condições de ajudar. Eles têm
que aprender a não reagir às provocações
do filho, nem permitir que ele continue usando-os e magoando-os.
é impossível deixar de sentir dor, incerteza e
preocupação, mas é fundamental parar de
se culpar e de tentar modificar o comportamento do jovem.
Desligar-se emocionalmente não significa deixar de olhar,
de cuidar e até mesmo de sofrer pelo filho. mas sim,
desligar-se de sua doença. À medida que a família
vai se fortalecendo, o peso tende a ficar mais leve. Para tanto,
é preciso adotar uma postura nova, mais firme e independente.
Tamanha reformulação não se dá de
uma hora para outra. Para ajudar, existem Grupos de Apoio e
técnicas terapêuticas direcionadas à família.
A experiência demonstra que, a partir daí, muitos
dependentes químicos começam, a pensar em tratamento.
A dependência química tem um tremendo impacto sobre
os familiares mais próximos , que costumam se sentir
culpados pelo fato de um de seus membros usar drogas. A verdade,
porém, é que as causas desse problema são
múltiplas e extrapolam o limite familiar. Trata-se de
uma doença grave e incurável, mas que pode ser
controlada.
É essencial que os familiares também se tratem.
Até porque eles também ficam doentes, tanto quanto
o próprio dependente. A dependência química
não é contagiosa, mas não há dúvidas
de que é contagiante. Quando a família se engaja
no tratamento, as possibilidades de sucesso aumentam muito.
Assim como acontece em relação ao alcoolismo,
a recuperação dos viciados em outros tipos de
drogas só acontece quando eles se afastam por completo
delas. É essencial também que os dependentes desejem
realmente se recuperar. Muitas vezes a simples participação
em Grupos de Apoio, ajuda muito a controlar a compulsão.
No entanto, é indispensável uma assistência
psicoterapêutica. Dependendo do caso, pode ser necessário
um período de internação.
Não é fácil convencer um dependente a internar-se.
Em geral, os terapeutas se reúnem com o drogado e sua
família, para confrontá-lo com sua dura realidade.
É o que se chama de “intervenção
direta”. E essas reuniões e encontros muitas vezes
podem ser e serão horas muito duras para todos, mas que
no final trará alegria para muitos, em especial para
os envolvidos diretamente no problema.
Normalmente, uma pessoa consegue resolver seu problema porque,
em primeiro lugar, reformulou seu estilo de vida, de maneira
consciente e verdadeira. Depois, porque a família se
envolveu no tratamento. Quando isso não acontece, as
recaídas são inevitáveis. Há pais
que, mesmo sofrendo, não conseguem tomar uma atitude.
Outros chegam a sabotar a recuperação numa tentativa,
inconciente, é claro, de manter o filho atrelado a eles.
De nada adianta internar o filho e esquecê-lo. O dependente
é, muitas vezes, o sintoma da doença da família,
uma espécie de bode expiatório.
Nessa caminhada de enfrentamento e combate ao mundo das drogas
é importante estarmos bem preparados para enfrentar esse
poderoso inimigo. A boa informação e orientação
são armas muito importantes e através das quais
poderemos alcançar inúmeras e importantes vitórias.
Neste opúsculo reunimos algumas dicas, sugestões
e orientações práticas que poderão
ser lhe útil, tanto na prevenção ao uso
de drogas, como no enfrentamento direto com a dependência
química.