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Quais seriam os impactos da produção de maconha para o meio ambiente?

Por Marcos Linhares – Cruz Azul no Brasil, 2019-09-20.

A Comissão de Direitos Humanos – CDH do Senado está avaliando a SUG-6/2016, que propõe a regulamentação do uso industrial e medicinal da maconha no Brasil. Na proposição, a Rede Brasileira de Redução de Danos e Direitos Humanos – REDUC elenca vantagens médicas e econômicas advindas do cultivo em larga escala do cânhamo, a planta da maconha. Entretanto, o impacto ambiental causado pela produção em larga escala foi ignorado.

Em outubro de 2018, o Canadá foi o segundo país do mundo a liberar o uso recreativo da maconha (o primeiro foi o Uruguai, em 2013. O usuário pode carregar até 30g para uso pessoal, e o limite de lucro permitido ao fornecedor é fixado em 8%. Na ocasião, o “The Guardian” – jornal britânico fundado em 1958 – publicou uma matéria com o seguinte título “Devemos estudar o impacto da produção de maconha no meio ambiente, antes que seja tarde demais”.

De acordo com a publicação, tanto Canadá quanto Estados Unidos (que liberou o uso medicinal em 2014) deveriam estar pesquisando as consequências da produção em larga escala para a natureza, mas eles não fizeram e não estão fazendo isso ainda, mesmo assim, o veículo de comunicação faz comparativo com outras indústrias farmacêuticas.

A principal preocupação é a contaminação das reservas de água. Ele cita o exemplo de caracóis aquáticos ingleses (chamados limpets) que sofrem uma mutação após a água ser contaminada por uma fábrica de antidepressivos – sem conseguir se fixar nas rochas, a espécie de molusco ameaçada desaparecer. Outro exemplo que chama atenção, por ser ainda mais bizarro, é o de um peixe canadense que machos começam a produzir ovos depois de contaminados por uma fábrica de anticoncepcionais.

Nos dois casos, estamos falando de dois países altamente desenvolvidos, com alto índice de desenvolvimento humano – IDH. Tanto na Inglaterra, quanto no Canadá, o sistema de saneamento básico (água e esgoto) atinge 100% da população. No Brasil, água encanada chega a 90% e esgoto apenas a 52%, isso porque há grande concentração nos centros urbanos: 78% das casas tem sistema de coleta na região Sudeste, e só 10% na Norte.

Esse deveria ser o foco de preocupação em nosso país. O The Guardian levanta a questão dos excrementos das pessoas que usam maconha, seja medicinal ou recreativo. Após metabolizada pelo organismo, a erva ainda conserva muitos princípios ativos, que serão eliminados pelo sistema excretor, independentemente de ter sido consumida “in natura” ou como medicamento. Com saneamento precário, esses dejetos serão jogados diretamente na natureza, comprometendo fontes de água (rios, açudes etc.), flora e fauna locais. O que acontece depois, não sabemos, aparentemente ninguém sabe, mas devemos nos preocupar antes que seja tarde demais. De preferência antes de qualquer regulamentação de produção.

Fontes:

https://www.cbc.ca/news/technology/birth-control-pill-threatens-fish-populations-1.2796897

https://www.telegraph.co.uk/science/2018/10/08/limpets-threat-due-rise-antidepressant-use-scientists-warn/

https://www.theguardian.com/commentisfree/2018/dec/04/canada-marijuana-legalization-environment-impact

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