Prevenir para não recair!

O uso de álcool e outras drogas pelo ser humano é um hábito milenar. As motivações para o seu uso são as mais diversas. Muitas pessoas conseguem fazer uso moderado de tais drogas, às vezes por um bom tempo, ou até mesmo pela vida inteira. Mas, outros tornam-se dependentes. Precisam de tratamento e acompanhamento. A doença não tem cura e nem remédios, mas para evitar recaídas e manter a sobriedade é necessário ficar longe de situações que podem levar a uma recaída e volta ao uso.
Uma importante estratégia no processo da recuperação e manutenção da sobriedade é evitar ou fugir de situações de risco. Basicamente são três os principais grupos de situações de alto risco que expõem o indivíduo a uma recaída:
1. Estados emocionais negativos (frustração, raiva, ansiedade, depressão ou tédio);
2. Conflitos interpessoais (com o cônjuge, amigos, familiares, colegas de trabalho, etc.);
3.Pressão social (incentivo ao uso, vindo de outra pessoa ou grupo).
O mais recomendável é evitar tais situações, o que nem sempre é possível. Diante do inevitável o indivíduo precisa reagir de modo eficaz, porém a realidade é que ele nem sempre está preparado para isso, falhando nesse enfrentamento.
Por exemplo: pode faltar habilidade de dizer “não” com firmeza a alguém que insiste que ele beba (ou fume, etc.). Uma falha diminui a sensação de competência para lidar com a situação (auto-eficácia), o que, associado às expectativas dos efeitos positivos da substância, pode levar ao lapso, ou uso inicial. Algumas pessoas, de certa forma, acabam “preparando” uma recaída expondo-se perigosamente a situações estimuladoras do uso.
Outras têm percepções distorcidas dos riscos de uma recaída e fazem racionalizações do tipo:
a) “Vou fazer um teste de controle, verificar se posso beber só um pouquinho“;
b) “Vou fumar só um cigarrinho, e isso não vai me fazer voltar a ser tabagista“;
c) Ou ainda “faz tempo que não uso: ‘devo’ a mim mesmo um momento de prazer”;
E, com estas justificativas podem acabar tendo um uso inicial.
Entre a abstinência e a recaída existe o lapso ou uso inicial, definido como uma falha (um “escorregão”), no processo de aprendizagem do novo estilo de vida. Tecnicamente dizemos que uma pessoa “recaiu” quando ela volta a beber ou usar drogas.
Porém, recair não significa fracassar e, na verdade, faz parte do processo de recuperação. Isso precisa ser discutido e compreendido pelo usuários/dependentes e seus familiares.
A evolução do uso inicial para a recaída dependerá da forma como o indivíduo vai lidar com esse lapso, processo que chamamos de “efeito da violação da abstinência”.
Os efeitos negativos podem ser devastadores. Imagine duas situações:
a) O indivíduo culpa-se pelo ocorrido, considerando-se um caso perdido e sem salvação, uma vez
que todos os esforços já foram feitos;
b) O indivíduo que identifica a falha e pensa em soluções para corrigi-la, de forma que não volte a se repetir.
Qual deles terá mais chances de manter a abstinência?
É por essa razão que familiares e profissionais devem buscar fortalecer o autoconceito do indivíduo, revendo seus sucessos passados e focando na manutenção da mudança.
Acusações e ameaças contribuem negativamente.
Escolher o caminho mais adequado para si próprio e, a partir daí, iniciar uma viagem rumo à recuperação significa a conquista de uma autonomia existencial e de um novo posicionamento diante de sua própria vida, familiares e sociedade em geral.

Luis Carlos Ávila – Bagé
Cruz Azul no Brasil

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